A verdadeira praga do século

Se os ditos ‘influencers’ de hoje vivessem em outra época, digamos, trinta anos atrás – onde a maioria deles não havia sequer nascido -, o que estariam fazendo da vida? Como estariam despendendo seu tempo? A resposta é que provavelmente estariam em empregos normais e não teriam a riqueza e a influência que têm hoje. Pedreiros, negociantes, professores…

No entanto estamos todos na década do estímulo. O tempo inteiro estamos checando as novas informações – sempre inúteis – de nossas redes sociais. Conexões que, obtidas facilmente, se tornam fúteis. “Ain, o gatinho cabeludinho da moda acenou na minha foto!”, “Olha, a vagabunda genérica que se diz diferente das outras notou a minha postagem com um comentário raso e fútil sobre política. Será que agora consigo acasalar?”, ou “olha a nova dancinha que eu fiz em protesto ao governo (insira aqui qualquer palavra de protesto moderna) do Talibã!”; estes são pensamentos frequentes e subconscientes na mente destruída do populacho cibernético padrão. A rede social criou e solucionou da pior forma possível um perigoso problema. Normatizaram a postagem de estereótipos do belo ao mesmo tempo que inventaram filtros. Não há mais ninguém feio e triste. Todos são bonitos e felizes, como num mundo utópico. Todos agora podem expor suas maquiadas fisionomias e seus maquiados sorrisos, e não contentes, agora precisam mostrar como seus pensamentos são belos e virtuosos de igual maneira. Mas não há como maquiar palavras e intenções. Se você é analfabeto funcional não haverá maneira de ocultar isso com um filtro. O mais próximo disso é usar as palavras vazias para se conectar com mais pessoas. “Vamos parar de matar animais!” “Precisamos que as crianças da África se alimentem!”, “toda forma de amor é linda, deixem-me dar o rrrrrrrabo pra minha samambaia!”. É a geração do culto ao plástico. Relações plásticas, dinheiro plástico. Amor plástico, como concebera a japonesa do city pop. Mas ei de animar-se com o rumo da vida pois há uma notícia boa nisto tudo.

Sempre existiram pessoas de espírito mais elevado que outras (e isto não tem nada a ver com instrução e dinheiro, como pregam uns). Uma minoria populacional que não se encaixa no Kreis dos patifes, um pequeno grupo de pessoas (o mesmo que é capaz de entender esse texto) incompreendidas e desprezadas pela democracia da mediocridade. Veja pelo lado bom: a rede social, o patético espetáculo, revelou à superfície aqueles trabalhadores simples que exalavam a mediocridade há vinte ou trinta anos, numa época onde não havia como demonstrar isso não fosse pessoalmente. Agora eles são nomeados e propositalmente se mostram ao público quase com uma placa na testa com os dizeres: “Eu sou ridículo. Ridículo!”. Revela-se à superfície a mesma camada de imbecis que existia às escondidas, e agora mais orgulhosos do que nunca. É imbecil também aquele que perpassa pelo palanque do palhaço infame e fornece audiência sem desprezar tal culto à imbecilidade. Eu não vou gastar meu precioso ingresso – a vida – para dar atenção ao espetáculo dos ridículos!

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