Clube Feminino de Literatura

“Sabemos que cada assassino em particular imagina, por todas as precauções tomadas, que jamais será preso, e o mesmo se passa com os mentirosos, mais

especialmente com as mulheres que amamos.” –Marcel Proust  

Sua atração era irremediavelmente direcionada às mulheres. Quando brincava de esconde-esconde na infância, por exemplo, sempre seguia suas amiguinhas rumo algum esconderijo, somente para que se entrelaçasse com elas no momento de se ocultar com fim de não serem descobertas. Não sabia o motivo de suas preferências, talvez em virtude das suaves feições femininas, mais bem vistosas, ou por se sentir de alguma maneira ameaçada perto de meninos. Ela não sabia. Mesmo desinteressada, mas movida pela ‘pressão dos pares’, tentou se envolver com um rapaz da sua rua, o que lhe trouxe mais certeza sobre seus desejos homossexuais. Com outro, para mostrar sua validação social às amigas de adolescência, perdeu a virgindade. Horrorosa experiência! A natureza dominante e a imposição conatural ao gênero oposto lhe eram abusivas, desnecessárias e traziam um sentimento de passividade com qual não conseguia lidar. Durante toda puberdade, no entanto, obteve êxito escondendo sua atração por mulheres. Aos dezoito, reprimida, sentia que era tempo de extravasar seus mais intensos desejos. E procurou o desafio. Conheceu o ‘clube feminino de literatura’ da Linda, uma brilhante colega de faculdade que não escondia de ninguém seu direcionamento sexual. Inteligente, eloquente e decidida, Linda decidiu reunir em sua casa meninas de direcionamento semelhante. Enquanto sua mãe se preparava para ir ao trabalho, nas tardes de quinta-feira, as meninas do clube conversavam sobre livros que nada sugeriam a real intenção do encontro. Quando a mãe se despedia das dezesseis garotas, fechavam às pressas os livros e encerravam as discussões, iniciando uma magnifica orgia por todos os cômodos da casa. Entre as meninas havia uma inconsciente organização de pares, que se revezava sempre á gosto. Algumas se algemavam e pediam punição às outras por açoite, preenchidas de objetos fálicos pelos orifícios. Algumas se esfregavam, se babavam e derramavam no corpo óleos afrodisíacos. E estas garotas, da mais alta diversidade fenotípica, gritavam, gemiam, por vezes clamando pelo nome de homens desconhecidos, como se assim extravasassem o desejo mais indevido de suas almas. Ao final, duas horas depois, limpavam a banheira, o sofá, o tapete, as camas, de modo que a mãe da anfitriã não percebesse o que acontecera ali chegando em casa. Já ao final da tarde, vestidas, conversavam como se nada houvesse ocorrido, visivelmente satisfeitas e contentes. Assim, com a nova membra, nossa protagonista, se deleitaram por mais dez encontros. Desta vez, no momento de ir embora Linda pediu para que esta ficasse mais um tempo em sua casa, porque teria de confessar-lhe uma coisa.

“Você anda meio estranha agora. As meninas dizem que você já não possui todo o entusiasmo de antes e assim ficamos preocupadas com a sua integridade e com a do grupo. Todas continuam excitadas, empolgadas como no início. Menos você. O que está acontecendo, Clara?”

“Linda” – suspirou, segurando as lágrimas de nervosismo. – “Eu estou saindo com alguém.”

“O que você quer dizer com isso? Bem, é uma maravilha, depois me passa as redes sociais dela e analiso se é confiável ou não tê-la no clube. Parece que nesta cidade todas as aberrações se conhecem, então precisamos nos precaver” – disse, de forma sarcástica.

“Não é isso. A pessoa com quem estou saindo é um homem.” – E enrubesceu porque aquela verdade lhe parecia também uma espécie de traição.

“O que quer dizer? Você sabe que ninguém pode saber de nós, certo? Clara… “- Linda analisava seu semblante, arrependido, e preocupava-se de fato com um possível vazamento. “Obrigada por me contar, amiga. Você sabe, não é? Somos garotas de família e temos uma reputação a zelar. Este círculo também faz parte do que chamam agora de alta sociedade, e se uma família for desmerecida, todas serão. É o nosso código, lembra?”

“Quero pedir-lhe um favor. ” Disse clara.


II


Passaram-se cinco meses. Clara, agora noiva do homem com quem se encontrava, acordava todos os dias ao seu lado, e às noites se acariciavam como Paolo e Francesca o faziam antes da revelação de seu furtivo amor. Poucas vezes praticavam o ato sexual porque o marido, felizmente a ela, possuía problemas de libido, o que agradava a esposa, que o aconselhava a não “usar remédios danosos ao coração pela simples vontade efêmera e tribal de fazer sexo”. Ele trabalhava de forma árdua para que pudesse prosperar; faria de tudo pela felicidade da esposa, tal era sua paixão pela inteligente, módica, Clara. Enfim, trabalhava muito para mantê-la porque a mulher não aceitava mais dinheiro dos pais; era como se procurasse sempre algum tipo de afronta com eles, que, por fim, cedem ao orgulho da filha e a deixam a mercê do marido, este que, sempre cortês, levava-a à faculdade todas as noites e também buscava-a, porque mesmo não tendo o estilo ciumento se preocupava. Não é por menos, Clara era uma moça alta, delgada, de trejeitos naturalmente sensuais e assim chamava atenção por onde passava. Ele, um homem formoso – mas pouco chamativo devido à baixa estatura – queria apenas a segurança de sua amada. Diziam sempre ao outro o socialmente aceito “eu te amo” para mostrarem que esse sentimento que brotava de suas almas era intenso. Ela realmente gostava dele. 

Uma vez por mês em certa quinta-feira, enquanto ele trabalhava, Clara dizia que ia à aula de ioga.

“Não, não se preocupe, eu posso ir a pé. Não precisa sair do trabalho para isso, amor, a aula é aqui perto e vou com minha amiga da faculdade sobre quem te falei. É só uma vez por mês, então não há problema. Isso. Isso. Exato. Eu também, meu amor.”

A aula ficava a vinte minutos de casa, indo a pé. Seria realmente um desastre do destino caso ele descobrisse onde ficava o real destino dela. Clara então ansiava a cada minuto que andava, essa seria a primeira reunião dos últimos seis meses. Quando entrou, todas as dezesseis olhavam-na, contentes.

“Seja bem vinda ao clube feminino de literatura.” – Linda disse, pela segunda vez, enquanto todas riam de felicidade e excitação.

Linda apenas citou prévios acontecimentos a elas, que se dissiparam por meses, fazendo uma linha do tempo sobre tudo que havia ocorrido desde então. As meninas falaram que durante a inatividade do clube se encontravam em outros lugares, às vezes em quatro, às vezes em par, mas nunca vazaram e sempre mantiveram escondidas as atividades homo afetivas. Cada uma seguindo com seu projeto pessoal a partir de então, remando os barcos de suas vidas. Elas eram como uma colmeia onde cada indivíduo possui sua importância. Sentiram falta de Clara, esta que salivava por suas partes mais íntimas de tanto desejo. Não se saciava há muito.

“Estou há um semestre sem ter orgasmos, a vida de casada é tão difícil!” – e gargalhavam. As meninas todas já tinha se encontrado uma ou outra vez, revezando as duplas, trios e quartetos. Menos Clara, que tinha de transparecer uma personalidade de bons costumes na frente do marido. Todas perguntaram mais uma vez o motivo de suas escolhas, e novamente ela respondeu. Mas decerto não queria falar sobre aquilo em tão ansiado momento. De repente saltou de sua cadeira e foi para o meio da sala, ao meio de todas, retirando todas suas vestimentas da parte de cima do corpo, enquanto as meninas começavam a acariciar seus próprios corpos, fitando-a com olhos de cobiça. Ela ensaiou alguns movimentos de dança sensualizando as próprias nádegas e ombros às outras, até que Linda levantou despindo-se, e como se fosse líder de matilha, encorajou as outras a também levantarem num súbito, e tiraram as roupas começando por fim aquele espetáculo de prazer. Linda e três meninas foram para cima de Clara e se prontificaram a satisfazê-la: deitou-se ao chão enquanto duas estimulavam sua vagina com movimentos circulares e uniformes, preenchendo-a, mas não pressionando, com objetos fálicos. Uma outra acariciava seus seios e os mamava com delicadeza, e Linda proferia palavras doces com voz juvenil e erótica. Esse era um dos pontos fracos de Clara; a doce voz feminina no ato sexual. Aproveitaram sem parar por duas horas intensas e só pararam quando já não conseguiam mais manter-se de pé.

“Parece até que valeu a pena esse tempo todo sem matar minha sede de vocês. Tive uns cinco orgasmos, eu juro!” – E todas, jogadas ao chão, riam de maneira derrotada pela fadiga. Enfim vestidas, despediram-se e assim ficou combinado; a partir de então uma vez ao mês ocorreria o “debate” no clube feminino de literatura. Assim diziam caso perguntassem. Chegando em casa, Clara correu ao banho se aprontando para a faculdade.

“Ué, mas você ficou suada fazendo ioga? Eu não sabia que era dessa maneira, em. Ê! interessante.” – dizia o marido, perguntando sobre a primeira aula. No carro, a caminho, ela dizia estar com dores musculares intensas e fadiga. Ele, impressionado com a efetividade da primeira aula, se convidou a ir um dia com a sua esposa, porque já estava com “as pernas mal acostumadas de tanto ficar sentado no escritório”. 

III

Alguns meses se passam. Não é que Clara não pensasse e não vivesse seus dias mirando aquelas quintas, mas ela tinha tanto medo do que ocorreria caso o marido descobrisse que sua tática era furtiva e cirúrgica; não havia vestígio visível de seus desejos homossexuais em nenhuma parte de sua vida. Transavam, porém, com uma triste raridade, poderia se dizer que não fizeram isso mais do que cinco vezes desde o noivado. O marido não fazia questão, não gostava de importuná-la com assuntos delicados, especialmente os sexuais, mas não se deve deixar de notar que por vezes aliviava seus desejos por conta própria quando ela estava na faculdade. 

Nesta quinta-feira, no entanto, Clara, ao voltar do clube, estava com um cheiro atípico, algo que parecia queimar levemente as narinas quando respirado. Seu marido tocava sua pele, sua barriga, e sentia uma camada de alguma coisa que não conseguiria imaginar por conta própria. Ela logo retirou a curiosa mão de seu corpo e andou ao canto do quarto, visivelmente amedrontada e insegura de ter seu segredo revelado. Além de tudo sua aula na faculdade começara há meia hora, e não atendeu a nenhuma das oito ligações.  

“Mas que saco, fica me tocando como se eu tivesse escondendo alguma coisa!”

Aumentava o tom de voz contra o homem enquanto ele mantinha a compostura de um calmo intelectual. O problema foi que a mãe de Linda, a anfitriã do clube, mandara uma mensagem dizendo à filha que já se encontrava na padaria, e perguntara o que a filha gostaria de comer, o que só podia significar que saíra mais cedo do trabalho. Não tiveram tempo de arrumar a casa com zelo, e Clara temia que tudo nesta noite estivesse acabado.

“Clara” – Disse o marido, calmo. – “O que significa isto? O cheiro, a constância, o horário…”

“Nada! Na aula de ioga a professora pediu para que passássemos um óleo na pele porque intensificaria a espiritualidade! E a aula estava tão interessante que acabei me demorando, foi só isso. Para de me julgar!”

E ficou por isso. Ela não foi à faculdade nesse dia, e em seguida ao discurso rumou ao banheiro. Ele não estava satisfeito e averiguou furtivamente o celular da esposa quando ela tomava o banho. Pôde ver, meio acanhado por mexer indevidamente, uma mensagem de número desconhecido: “amiga, tá na faculdade? Ele descobriu?”

Deixou o celular no mesmo lugar que estava e passou a fitar, sem foco, tudo que havia em sua frente. Havia algo de podre no reino da Dinamarca e ele estava disposto a descobrir. Quando aprontada em seus pijamas, acomodando-se na cama a procurar uma distração na tevê seu marido aproximou-se com o celular, pacientemente, e quando Clara percebeu que era o seu celular, ainda que precisasse manter a postura fria de calma, gelou da cabeça aos pés e por um instante não conseguiu inspirar o ar, como se o medo o houvesse dissipado completamente do ambiente. Não transpareceu, mas sabia que a casa tinha caído. Ele perguntou o que significava aquela mensagem e ela pediu para que ele lhe mostrasse, porque se segurasse o telefone demonstraria o nervosismo de mãos trêmulas. Com o pensamento rápido pensou em inverter o crime e acusar seu próprio homem de violação de privacidade, culpando-o assim e empatando uma possível discussão. Mas após ler a mensagem, pela segunda e terceira vez, deixando claro, pelo silêncio, que havia algo a ser falado, teve uma magnífica ideia. 

“Anda, estou esperando sua defesa. Você deve estar me traindo.”

“Meu amor! Mas é claro que não! Essa acusação me deixou completamente nervosa, olhe para minhas mãos. É isso que você pensa da mulher da sua vida? Eu juro pela minha vida que nunca te trairia com um outro homem! Escuta-me. Há um engano. Você sabe que há muito não fazemos amor, como todo casal deveria fazer, não é? Não, calma, deixa eu explicar, não estou chateada nem frustrada. Pensei em fazer surpresa no seu aniversário, mas agora você descobriu, então de bom grado irei revelar, para que não haja briga. Como seu aniversário está chegando pensei em apimentarmos esse dia tão especial. É o primeiro aniversário que passamos juntos. Eu estava com medo de você descobrir antes da hora, mas tenho uma amiga na faculdade que te olha toda vez que você me leva até lá. Ela já falou algumas vezes sobre sua beleza e então… bem, pensei em chamá-la para algo a três, somente para melhorarmos a nossa dinâmica de casal, mas entenderei se você achar radical a ideia.”

Safou-se com a cartada de mestra. Incerto, mas para não fazer desfeita, aceitou o presente, e inquiriu várias e várias vezes para conferir a história durante os dias e certificar-se de que não estava sendo passado para trás. Ela safou-se de modo que ele não desconfiaria de outra coisa. Safou-se de modo que ele, pensando o pior, a abraçou em alívio. Faltavam quatro dias para o aniversário de Rolando.

IV

É o nosso código, lembra?

“Quero pedir-lhe um favor. Você é minha melhor amiga e não digo isso somente pelo que temos relativo à carne, mas também por sermos espíritos sintonizados na mais liberal das frequências. Caso Rolando venha a suspeitar de mim e do que fazemos aqui no clube, por favor, me ajuda a tentar tirar esta ideia da cabeça dele. Eu não sei, talvez se por um tempo fizermos sexo em conjunto, para que ele esqueça qualquer ideia errônea que possa ter sobre nós. Não errônea, quero dizer… Bem, você me entendeu. Isso pode nos ajudar a manter o intuito do clube secreto… Você sabe como são os homens de bolas vazias! Não pensará coisa alguma!”

Essa foi a conversa que tiveram há alguns meses Linda e Clara. A anfitriã do clube aceitou o pedido apenas por consideração à beleza irresistível da amiga. Sem ela o clube não seria mais a mesma coisa. Chegamos então no ponto de agora.

Após o jantar romântico de aniversário Rolando foi apresentado à amiga de sua esposa, Linda. Durante as primeiras palavras trocadas entre ambos, Clara sentou-se distante enquanto acariciava suas partes mais íntimas. Ela gostava do marido como pessoa, mas só estava noiva para ter a estabilidade financeira e as aparências aos pais. A todo instante a amiga olhava com trejeitos de reprovação a esposa safa. Demorou para que ele se sentisse à vontade a tirar a camiseta, e depois a calça…

Sua mulher também começara a tirar as peças de roupa uma por uma enquanto observava sentada a amiga trabalhar a língua em todas as partes de seu marido, e de alguma forma aquilo despertava um sentimento estranho e intenso nela. Não era parecido com ciúme, mas uma ânsia por ver outra pessoa retirar de seu marido um semblante excitado, desejoso. Seu marido agora manejava com vontade o corpo de Linda para lá e para cá num apetite infindo. Clara se espantava com o desejo do marido e acabava-se por se espantar com o própria desejo que cultivava inconscientemente pelo marido desejando outra mulher. Como se sua própria impotência naquela situação fosse uma virtude para sua libido. Ela encontrou conforto e paz na impotência, de modo que estava completamente relaxada para estimular-se de todos os jeitos possíveis olhando sua melhor amiga e seu marido em um ato de infidelidade que se principia de não sabe-se que parte. Sentia-se submissa não operando o prazer direto no marido e, para si, aquela fraqueza, que também era uma inconsciente punição, era um excitante castigo. Bem, se é estimulante, não poderia mais ser castigo, de modo que pode ser pensado que Clara envergou a própria imoralidade a tal ponto que ela se tornava justa e, se me permite dizer, até moral ao deixar o marido se saciar no seio de outra. O coração acelerava de adrenalina quando o marido dizia estar chegando no ápice. Ela teve mais orgasmos vendo a cena do que com todo o tempo casada. O marido, enfim, rendido de cansaço na cama, respirava forte, enquanto Linda, frustrada, foi arrumar-se no banheiro. 

Gozaram, e assim as regras morais de sociedade voltaram a ser como eram. Linda foi embora, despedindo-se friamente. A ação, agora, se tornava vergonhosa aos dois, de modo que resolveram não comentar enquanto estavam no estado natural do espírito. Sabiam, de qualquer forma, que aquele ato indelicado despertara um fogo de certa forma indevido, subvertido, que deveria ser estimulado de tempo em tempo…

Com o passar das semanas Clara não sentia mais tesão indo ao clube de literatura feminino. Sua praia agora era alimentar o fogo do sentimento de ser punida com uma forçada e ilegítima traição, frustrando assim Linda e outras meninas do clube por um momento. Rolando, animado com tudo o que acontecia, propôs que ambos mudassem o cardápio vez ou outra, porque agora seu desejo estava restaurado e condicional a alguém com sua juventude e disposição, até que sua esposa teve a brilhante ideia de levar, de forma revezada, as meninas do clube até sua casa. Começou com uma, e depois outra, e em uma semana três meninas diferentes apareciam na casa do casal. Dizia ela, para se eximir da culpa, serem todas de um grupo homossexual que encontrara nas redes sociais. Dizia que eram meninas de total confiança da Linda. Logo haviam três, quatro e até cinco meninas diferentes na casa de Rolando. Havia sempre a variedade, e com esta, aumentava o prazer. Nessa altura ele não pensava mais na fidelidade da esposa. Durante o ato de Rolando com outras ela sempre ficava na cadeirinha olhando e se estimulando. Preferia observar e perceber os sentimentos confrontantes de sua alma. Aquilo lhe empregava um prazer que as meninas não eram capazes de oferecer. A casa deles funcionava como um laboratório sexual. A casa de Linda, por outro lado, ainda era um clube de literatura e sodomia das meninas, clube que sempre foi desconhecido para o noivo. Formaram-se dois clubes de cultura sexual; o primeiro, inteiramente feminino. O segundo, um escapismo sexual das meninas onde Rolando era o objeto estudado e utilizado. Ele não percebia, depois do gozo extinguia de sua cabeça os pensamentos libidinosos. Preferia tomar banho e continuar sua vida de trabalho com novos picos de estímulo sugeridos por sua esposa. O clube feminino de literatura funcionou por muitos anos.

Embasado no livro A Prisioneira, quinto livro de Em Busca do Tempo perdido, de Marcel Proust.

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