Soneto I – Cantos Fúnebres

abriu-me o peito em dor, melancolia;
resquício de um ciclo; em tempo, dó;
despeço do frescor… já não é mais dia;
a noite alcança e eu morro, morro só.

na relva onde ora jazo ouço o pranteio,
dissera o findo alçando-me às olheiras:
"o lar nutrido fora um mero anseio,
e a face que beijaste é uma caveira."

defronto d'homem o inevitável fado:
"se é pra morrer, que eu morra esbravejando,
colhi tão belo dia em um'outrora!

pois se antes do raiar for eu ceifado
não chorarei o frio , me encorajando;
enquanto d'esperança houver aurora!"

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